sexta-feira, 25 de março de 2011

DDA E VIDA AFETIVA


os últimos românticos: emoção em excesso e escassez de razão...

...Na realidade, os problemas no relacionamento afetivo de pessoas com DDA
começam a aparecer e causar grandes desconfortos após a fase da paixão. É
muito fácil apaixonar-se por um DDA, o grande desafio é ultrapassar a explosão
inicial e estabelecer uma relação afetiva duradoura de crescimento e respeito
mútuo.
As características do comportamento DDA que podem trazer maiores
dificuldades dentro de um relacionamento íntimo são:
• Esquecimentos, distração e desorganização:
A instabilidade de atenção é o sintoma mais importante e marcante na vida
dessas pessoas. É claro que isso traz para eles muitos problemas pessoais e
cotidianos, como atrasos freqüentes, perda de papéis importantes, chaves etc.
Quando esses problemas começam a acontecer dentro da relação afetiva, sérios
conflitos podem aparecer, pois a desatenção do DDA pode tornar-se muito irritante
para seu parceiro. A esposa de um DDA pode ficar muito desapontada ao ver seu
marido esquecer datas especiais ou encontros marcados com antecedência, ou
mesmo revoltada por não ser ouvida durante um jantar ou sobre decisões de sua
vida profissional. É claro que isso gera, a longo prazo, raivas e mágoas que irão
contribuir para uma atitude depreciativa do parceiro não-DDA para com este, e
uma atitude de retraimento do DDA que tenderá a fugir dessa relação. Essa
situação pode tornar-se um círculo vicioso em que a relação se tornará
insuportável para ambos.
• Falta de controle de impulsos:
Os impulsos nos DDAs podem apresentar-se de várias formas: por meio de
explosões afetivas, no comer, falar, trabalhar, jogar, fazer sexo, comprar ou usar
drogas. Seja qual for a forma em que tais impulsos possam se manifestar, trarão
sempre situações de desconfortos pessoais e grandes embaraços conjugais.
Já se imaginou casado com alguém que estoura todos os limites do cheque
especial e dos cartões de crédito, ou que trabalha no mínimo 14 horas por dia e,
ao chegar em casa, continua a fazer os trabalhos da firma?
Tais atos impulsivos costumam despertar no parceiro uma tendência a
interpretá-los como gestos egoístas, narcisistas ou mesmo infantis. Em grande
parte, esses adjetivos estariam corretos se não se soubesse que o DDA age assim
em função de uma alteração neurobioquímica que também não está sob seu
controle. A ele geralmente cabem a culpa e o arrependimento de ter mais uma vez
falhado na tarefa de pensar antes de agir e, como conseqüência, ter criado novos
problemas para si e mágoas e raivas para seu parceiro.
• Necessidade de estimulação constante:
A maior parte dos indivíduos com DDA tem fascínio em buscar novos e
fortes estímulos. É como se suas vivências cotidianas tivessem que acompanhar o
ritmo acelerado e inquieto de seu cérebro, que já foi chamado por John Ratey —
um especialista norte-americano em DDA — de cérebro ruidoso.
A busca de estímulos fortes pode dar-se de várias maneiras: praticar
esportes radicais, realizar negócios arriscados, criar discussões exaltadas,
participar de vários projetos simultaneamente, dirigir em alta velocidade, ter
fascínio por motocicletas, sair às três horas da madrugada para comprar um livro
ou tomar um café. Vale tudo para fugir do tédio e manter a vida em um ritmo
acelerado e excitante.
Como nos relacionamentos afetivos, muita ação pode ser sinônimo de
confusão. Várias vezes os cônjuges se sentirão traídos, rejeitados ou mesmo
esgotados com tanta emoção.
• Dificuldades de se comunicar afetivamente:
De um modo geral, pessoas com funcionamento DDA têm dificuldades de
se expressar. Isso ocorre, em parte, pela velocidade com que seu cérebro
processa os pensamentos, em função da sua hiper-reatividade ao mundo externo
e interno. Cérebros com DDA atentam-se a diversos estímulos externos ao mesmo
tempo que criam histórias no seu mundo interno. Essa enxurrada de pensamentos
acaba por criar uma disparidade entre o seu modo de pensar e a sua maneira de
se expressar. Sabe-se que a linguagem falada e a escrita são a formas de
expressar o que se pensa. Assim sendo, a pessoa com DDA sempre apresentará
dificuldades em uma dessas expressões, ou em ambas. No caso da escrita,
poderá haver palavras, sílabas ou letras repetidas, omitidas ou mesmo trocadas.
Com relação à linguagem falada, a situação pode tornar-se um pouco mais
complicada, pois sabe-se que a comunicação verbal é a base de todo processo de
socialização do ser humano. A grande dificuldade do adulto com DDA nos seus
relacionamentos afetivos é conseguir falar de maneira organizada aquilo que sente
para seu parceiro. Muitas vezes, a velocidade de seus pensamentos o impede de
falar o que é fundamental para se fazer compreender. Quando pensa no que vai
falar, outro pensamento sucede o anterior em uma velocidade tão expressiva que
acaba por esquecer o que de fato importava dizer.
Outro aspecto que torna a comunicação afetiva tão difícil é a baixa auto-estima
que quase sempre acaba traindo-o, impedindo que fale o que sente de verdade,
sob pena de sentir-se rejeitado e não amado. Talvez seja esse o seu maior temor
afetivo.

Um comentário:

Unknown disse...
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