sábado, 26 de março de 2011

A Mulher Esperando o Homem

O tema da mulher esperando o homem há muito, muito tempo menina; sei que é velho, já serviu para sonetos, contos, páginas de romance, talvez quadro de pintura, talvez música. E eu que não sei fazer nada disso sou, entretanto, perseguido por histórias de mulher esperando homem, mais banais às mais terríveis.

Agora mesmo, quando passou o aniversário da revolução húngara, eu me lembrei que de todos os relatos, alguns dolorosos, horríveis, gente que fugiu da Hungria, havia o de uma mulher que contou simplicidade sua história; e foi o que mais me impressionou quando o li, de madrugada, no meu quarto de hotel em Nova York. O marido saiu para a revolução e lhe disse que ela não saísse de casa de maneira alguma, e esperasse sua volta. Chegou a noite e ele não veio; passou a noite inteira acordada, e ele não veio; no outro dia entraram na rua tanques russos atirando, e veio outra vez a noite, e veio outro dia, e veio outra noite, e ela esperando; cochilava um pouco sentada, acordava assustada julgando ouvir os passos ou a voz dele, até que chegou por um parente a notícia de que ele morrera.

Ela então saiu de casa e - “como eu não tinha mais nada que esperar”, segundo disse - fugiu para a fronteira da Áustria.

Não sei por que, achei que essa mulher sentiu um alívio ao saber que não devia esperar mais; acontecera, naturalmente, o pior. Mas a angústia de esperar cessara.

O homem ausente era como um carcereiro que a prendia no lar transformado em câmara de torturas. Ela agora estava desgraçada, mas livre.

Mas não é preciso haver guerra nem nenhum perigo; nesta madrugada em que escrevo, em Ipanema, quantas mulheres não estarão esperando os maridos? Aquela pequena luz acesa em um edifício distante é talvez o apartamento da mulher insone que já telefonou meio envergonhada para várias casas amigas perguntando pelo marido, que já olhou o relógio vinte vezes e tomou comprimido para dormir, ligou a Rádio Relógio, tentou ler uma revista velha, fumou quase um maço de cigarros.

Não importa que seja a esposa vulgar de um homem vulgar; e que no fim a história do atraso dele seja também completamente vulgar. Neste momento ela é a mulher esperando o homem; e todas as mulheres esperando seus homens se parecem no mundo, e se ligam por invisível túnel de solidariedade que atravessa as madrugadas intermináveis.

Todas: a mulher do pescador, a mulher do aviador, e a do revisor de jornal, a do milionário e a do ministro protestante… (A MULHER DO MUSICO)

Devia haver um santo especial para proteger a mulher esperando o homem, devia haver uma oração forte para ela rezar; ela está desamparada no centro de um mundo vazio.

Ela começa a odiar os móveis e as paredes; a torneira da pia lhe parece antipática; a geladeira, que aliás precisa ser pintada, é estúpida, porque ronca de repente e depois o silêncio é mais quieto. A cama é insuportável.

Devia haver um número de telefone especial para a mulher que está esperando o homem chamar, reclamar providências, ouvir promessas, insistir, tocar outra vez, xingar, bater com o fone. Devia haver funcionários especiais, capazes de abastecer essa mulher de esperança de quinze em quinze minutos, jurar que todas as providências já foram tomadas, “estamos seguros de que dentro de poucos minutos teremos alguma coisa a dizer à senhora…”

E diria que pelo menos no necrotério ele não está, nem no Pronto socorro, nem em delegacia nenhuma, (NEM EM STUDIOS); mas não diria isso de uma só vez, e sim através de informes espaçados, que fossem formando etapas de ansiedades, que quadriculassem lentamente a insônia.

A mulher que está esperando o homem está sujeita a muitos perigos entre o ódio e o tédio, o medo, o carinho e a vontade de vingança.

Se um aparelho registrasse tudo o que ela sente e pensa durante a noite insone, e se o homem, no dia seguinte, pudesse tomar conhecimento de tudo, como quem ouve uma gravação numa fita, é possível que ele ficasse pálido, muito pálido.

Porque a mulher que está esperando o homem recebe sempre a visita do Diabo, e conversa com ele. Pode não concordar com o que ele diz, mas conversa com ele.

(Rubem Braga - 1957)

sexta-feira, 25 de março de 2011

DDA E VIDA AFETIVA 3


Algumas dicas bem valiosas também podem ser observadas pelos
parceiros dos DDAs. Aqui, vale destacar que, segundo estatísticas, os homens são
mais propensos a terem DDA do que as mulheres. Sendo assim, o cônjuge de um
DDA será mais provavelmente uma mulher. Uma ”sobrecarregada” e ”solitária”
mulher. No entanto, as sugestões fornecidas abaixo são válidas para ambos os
sexos.
1. Não se culpe pelo DDA dele. Você pode ajudar seu parceiro a buscar
ajuda, auxiliá-lo em sua organização particular, tentar fazer a vida mais fácil para
ele. No entanto, não é sua missão ”resgatá-lo”. Não seja onipotente, por mais
frustrante que isso possa parecer, você não pode fazer o comportamento DDA
dele desaparecer, assim como não se pode fazer o diabetes ou hipertensão
arterial de uma pessoa sumir como em um passe de mágica. Você não é
responsável pelo transtorno dele, nem ele pelos seus. Se você está sentindo-se
culpada pelas tristezas ou frustrações dele, não vá por esse caminho e não
permita que os outros tentem levá-la com frases ou pedidos do tipo: ”seja mais
tolerante”, ”não custa dar uma forcinha”, ”se você o ajudasse mais...”.
2. Não acoberte as falhas do DDA. Os parceiros dos DDAs tendem a
assumir o papel de ”zeladores” da família, principalmente se forem mulheres, uma
vez que culturalmente estas são bem mais tolerantes com maridos e filhos. Elas
pegam papéis pelo chão, meias perdidas, documentos esquecidos, lembram todas
as datas importantes na família, pagam todas as contas e limpam os cafés,
sorvetes e sucos derramados. Lembre-se de que nenhum ser humano é
incompetente, temos uma natureza que nos permite aprender tudo com a
experiência da vida. Não caia no erro fácil de achar que controlar e assumir todas
as responsabilidades de seu parceiro lhe dá ”poder” sobre ele. Viver integralmente
para administrar a vida do outro pode trazer-lhe a sensação de ser escravo
particular de alguém e isso traz ressentimentos e acaba por não beneficiar
ninguém. Tenha sua vida própria, tire as tarefas dele de seus ombros. Escolha
suas responsabilidades de acordo com as conseqüências. Assim, você pode
escolher pagar a conta do telefone, pois, caso contrário, isso trará problemas para
ambos. Não mande cartões de aniversários para os parentes dele. Se quiser,
mande você os seus em seu nome. Resista à tentação de recolher as roupas dele
do chão. Agindo assim, você ficará menos ressentida e dará a ele oportunidade de
aprender com a experiência da vida cotidiana.
3. Dê mais atenção a você. Parceiros afetivos de DDAs sempre reclamam
sobre o egoísmo ou o narcisismo deles. Em verdade, isso, muitas vezes, não é
mais do que uma autoconcentração, ou seja, freqüentemente estão tão absortos
em pensamentos, idéias e imagens que bombardeiam suas mentes, que
esquecem do mundo ao seu redor. Essa desatenção é muito difícil de ser aceita
pelos parceiros dos DDAs. Lembre-se de que isso não é contra você, afinal, ele
tem déficit, ou melhor, uma instabilidade de atenção. Dê-se mais atenção e tente
colocar-se em primeiro lugar, pelo menos em sua vida profissional e pessoal. Sem
rancor, mágoas ou culpas. Isso será sadio para ambos.
4. Não permita abusos. Como foi visto, alguns DDAs podem ter grandes
dificuldades em controlar seus impulsos verbais e às vezes físicos. Abuso verbal
ou físico não é para ser tolerado em nenhum relacionamento. DDA não pode ser
desculpa para isso. Como um adulto, seu parceiro DDA deve aprender a lidar com
a raiva e a frustração de uma maneira aceitável. Se ele não consegue conter seus
impulsos, precisa da ajuda de um profissional. Insista para que procure ajuda
médica.
5. Procure apoio. Os parceiros dos DDAs muitas vezes tendem a se sentir
isolados e solitários, em face do tempo que a vida deles toma da sua. Se você tem
dificuldade em mudar essa engrenagem vital, procure apoio. Os locais
especializados em tratamentos de DDAs contam em suas equipes com pessoas
que orientam seus parceiros nesse sentido e os ajudam a reconduzirem sua vida
pessoal, social, afetiva e profissional de uma maneira mais agradável e saudável
para ambos.
6. Valorize e reafirme as pequenas vitórias. Não esqueça: seu parceiro não
é só o transtorno dele. Mesmo dentro de seu comportamento DDA, tem qualidades
que não devem ser esquecidas. Ser parceiro de um DDA pode ser muito
desgastante, como já foi visto; no entanto, não deixe o desgaste encobrir as coisas
boas que ele faz ou tenta fazer por você. Converse com ele e explique que você
também aprecia elogios e agrados. Uma conversa carinhosa com um DDA pode
surtir grandes efeitos positivos. Não se esqueça de que a hipersensibilidade é uma
das características deles. Nesse aspecto, algo que merece destaque é o que se
chama de ”concentração equivocada”. Um bom exemplo disso é quando seu
marido DDA faz uma surpresa e lhe dá de presente uma roupa da moda, mas que
você só poderia usar se fosse vinte anos mais nova, ou seja, no tempo que vocês
eram namorados. Ou ainda a presenteia com uma linda cesta de chocolate,
esquecendo-se de que seu colesterol está altíssimo. Quando isso ocorrer, e
ocorrerá várias vezes, não perca o humor, afinal poucas pessoas no mundo
cometem gafes tão engraçadas. Mas não se esqueça de que ele pensou em lhe
agradar; entretanto, sua concentração estava no lugar errado (equivocadas).
Tente rir da situação, não fique magoada. Estimule-o a tentar outras vezes.
Com o tempo ele acabará acertando.

[TEXTO RETIRADO DO LIVRO MENTES INQUIETAS]

DDA E VIDA AFETIVA 2

Ao casal peço que leia com muita atenção e carinho a pequena lista de
dicas que fizemos ao longo de todos esses anos atendendo DDAs e seus
parceiros. Sugerimos que cada um leia individualmente e depois releiam juntos
com muita calma. O objetivo principal das dicas é contribuir para o
estabelecimento de uma forma melhor de comunicação nos relacionamentos
afetivos com os DDAs.
Discorde, debata, reflita, pense, repense, mas não deixe de tentar praticar,
pelo menos algumas delas.
Ei-las:
1. Informe-se o máximo que puder sobre o seu funcionamento DDA. Só
assim você poderá compreender que muitas atitudes suas não são provocadas
intencionalmente por seu parceiro e sim pela própria instabilidade de seu
funcionamento. Isso ajuda muito o DDA a não ficar culpando o parceiro por seus
erros ou insatisfações. Às vezes você estará de mau humor ou angustiado pela
sua maneira de ser, mas sabe que isso passa, se você buscar algo útil e
interessante para fazer. Não caia na armadilha fácil e previsível de colocar suas
motivações, angústias, alegrias, tristezas ou fracassos sob a responsabilidade de
sua relação afetiva, pois ninguém no mundo tem o poder de sozinho fazer você
feliz ou infeliz.
2. Tente colocar-se na posição do seu parceiro. Lembre-se de que cada
pessoa tem sua maneira de ser. Respeite o jeito dele para que ele possa fazer o
mesmo em relação a você.
3. Seja sincero na sua relação. Ouça com atenção. Às vezes, sua visão dos
fatos pode estar distorcida por sua hipersensibilidade.
4. Reserve um tempo por dia para ficar sozinho com seus pensamentos e
não se esqueça de explicar ao seu parceiro que isso é muito importante para seu
equilíbrio. Isso irá fortalecer sua estrutura interna.
5. Não tenha medo de ser rejeitado por ser sincero. Para um DDA, uma
relação afetiva só tem chance de dar certo se ele sentir-se amado de fato, com
suas qualidades e limitações.
6. Procure ter um mínimo de organização na sua relação. Pequenas coisas
trarão ao seu parceiro a segurança de que ele precisa para saber que você está
atento a ele. Um telefonema durante o dia, o jantar combinado, a leitura
compartilhada de um jornal de domingo etc. com o tempo, o hábito trará bons
resultados.
7. Não diga “sim”, quando quiser dizer ”não”. Se não tiver vontade de ir a
uma festa do trabalho dele(a), não vá, pois seu impulso reprimido poderá acabar
por tornar o compromisso bastante desagradável para ambos.
8. Não crie brigas só para ter motivos de sair com amigos ou dar um rolê
por aí. Seja sincero e explique que isso, às vezes, acontece com você em períodos
de muita inquietação, e que essas saídas acalmam a agitação da sua mente.
9. Siga seu tratamento médico e estimule seu parceiro a participar dele,
criando cumplicidade e melhorando o entendimento.
10. Tente entender que sendo DDA, muitas vezes, você se verá envolvido
por impulsos sedutores, que, na realidade, só representam a busca imediata de
um novo estímulo; por isso mesmo, pense no mínimo três vezes antes de partir
para um jogo de sedução.
11. Tenha a humildade de permitir que o mais organizado dos dois tome a
frente das responsabilidades financeiras do casal. Se você não consegue controlar
talões de cheque, cartões de crédito, contas de luz, gás, telefone etc., deixe que
seu parceiro administre tudo até que você sinta-se capaz de começar a contribuir.
12. Crie o hábito de fazer elogios a seu parceiro. Isso fará com que se sinta
presente em seus pensamentos e o estimulará a fazer o mesmo. Você sabe o
quanto um elogio pode levantar o astral de um DDA? Muitíssimo!
13. Cuidado para não se ”contagiar” com problemas afetivos de casais
amigos. Concentre-se em resolver os conflitos da sua relação e não tome
parâmetros externos para esse fim.
14. Nunca utilize o fato de ser DDA como desculpa para fracassos afetivos,
pois o conhecimento desse comportamento, aliado a uma vontade verdadeira de
melhorar como pessoa e a dois, podem render-lhe muita capacidade de
compreensão em um relacionamento.
[RETIRADO DO LIVRO MENTES INQUIETAS]

DDA E VIDA AFETIVA


os últimos românticos: emoção em excesso e escassez de razão...

...Na realidade, os problemas no relacionamento afetivo de pessoas com DDA
começam a aparecer e causar grandes desconfortos após a fase da paixão. É
muito fácil apaixonar-se por um DDA, o grande desafio é ultrapassar a explosão
inicial e estabelecer uma relação afetiva duradoura de crescimento e respeito
mútuo.
As características do comportamento DDA que podem trazer maiores
dificuldades dentro de um relacionamento íntimo são:
• Esquecimentos, distração e desorganização:
A instabilidade de atenção é o sintoma mais importante e marcante na vida
dessas pessoas. É claro que isso traz para eles muitos problemas pessoais e
cotidianos, como atrasos freqüentes, perda de papéis importantes, chaves etc.
Quando esses problemas começam a acontecer dentro da relação afetiva, sérios
conflitos podem aparecer, pois a desatenção do DDA pode tornar-se muito irritante
para seu parceiro. A esposa de um DDA pode ficar muito desapontada ao ver seu
marido esquecer datas especiais ou encontros marcados com antecedência, ou
mesmo revoltada por não ser ouvida durante um jantar ou sobre decisões de sua
vida profissional. É claro que isso gera, a longo prazo, raivas e mágoas que irão
contribuir para uma atitude depreciativa do parceiro não-DDA para com este, e
uma atitude de retraimento do DDA que tenderá a fugir dessa relação. Essa
situação pode tornar-se um círculo vicioso em que a relação se tornará
insuportável para ambos.
• Falta de controle de impulsos:
Os impulsos nos DDAs podem apresentar-se de várias formas: por meio de
explosões afetivas, no comer, falar, trabalhar, jogar, fazer sexo, comprar ou usar
drogas. Seja qual for a forma em que tais impulsos possam se manifestar, trarão
sempre situações de desconfortos pessoais e grandes embaraços conjugais.
Já se imaginou casado com alguém que estoura todos os limites do cheque
especial e dos cartões de crédito, ou que trabalha no mínimo 14 horas por dia e,
ao chegar em casa, continua a fazer os trabalhos da firma?
Tais atos impulsivos costumam despertar no parceiro uma tendência a
interpretá-los como gestos egoístas, narcisistas ou mesmo infantis. Em grande
parte, esses adjetivos estariam corretos se não se soubesse que o DDA age assim
em função de uma alteração neurobioquímica que também não está sob seu
controle. A ele geralmente cabem a culpa e o arrependimento de ter mais uma vez
falhado na tarefa de pensar antes de agir e, como conseqüência, ter criado novos
problemas para si e mágoas e raivas para seu parceiro.
• Necessidade de estimulação constante:
A maior parte dos indivíduos com DDA tem fascínio em buscar novos e
fortes estímulos. É como se suas vivências cotidianas tivessem que acompanhar o
ritmo acelerado e inquieto de seu cérebro, que já foi chamado por John Ratey —
um especialista norte-americano em DDA — de cérebro ruidoso.
A busca de estímulos fortes pode dar-se de várias maneiras: praticar
esportes radicais, realizar negócios arriscados, criar discussões exaltadas,
participar de vários projetos simultaneamente, dirigir em alta velocidade, ter
fascínio por motocicletas, sair às três horas da madrugada para comprar um livro
ou tomar um café. Vale tudo para fugir do tédio e manter a vida em um ritmo
acelerado e excitante.
Como nos relacionamentos afetivos, muita ação pode ser sinônimo de
confusão. Várias vezes os cônjuges se sentirão traídos, rejeitados ou mesmo
esgotados com tanta emoção.
• Dificuldades de se comunicar afetivamente:
De um modo geral, pessoas com funcionamento DDA têm dificuldades de
se expressar. Isso ocorre, em parte, pela velocidade com que seu cérebro
processa os pensamentos, em função da sua hiper-reatividade ao mundo externo
e interno. Cérebros com DDA atentam-se a diversos estímulos externos ao mesmo
tempo que criam histórias no seu mundo interno. Essa enxurrada de pensamentos
acaba por criar uma disparidade entre o seu modo de pensar e a sua maneira de
se expressar. Sabe-se que a linguagem falada e a escrita são a formas de
expressar o que se pensa. Assim sendo, a pessoa com DDA sempre apresentará
dificuldades em uma dessas expressões, ou em ambas. No caso da escrita,
poderá haver palavras, sílabas ou letras repetidas, omitidas ou mesmo trocadas.
Com relação à linguagem falada, a situação pode tornar-se um pouco mais
complicada, pois sabe-se que a comunicação verbal é a base de todo processo de
socialização do ser humano. A grande dificuldade do adulto com DDA nos seus
relacionamentos afetivos é conseguir falar de maneira organizada aquilo que sente
para seu parceiro. Muitas vezes, a velocidade de seus pensamentos o impede de
falar o que é fundamental para se fazer compreender. Quando pensa no que vai
falar, outro pensamento sucede o anterior em uma velocidade tão expressiva que
acaba por esquecer o que de fato importava dizer.
Outro aspecto que torna a comunicação afetiva tão difícil é a baixa auto-estima
que quase sempre acaba traindo-o, impedindo que fale o que sente de verdade,
sob pena de sentir-se rejeitado e não amado. Talvez seja esse o seu maior temor
afetivo.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Quem tem dois corações
Me faça presente de um
Que eu já fui dono de dois
E já não tenho nenhum
Dá-me beijos, dá-me tantos
Que enleado em teus encantos
Preso nos abraços teus
Eu não sinta a própria vida
Nem minh’alma ave perdida
No azul amor dos teus céus
Botão de rosa menina
Carinhosa, pequenina
Corpinho de tentação
Vem morar na minha vida
Dá em ti terna guarida
Ao meu pobre coração
Quando passo um dia inteiro
Sem ver o meu amorzinho
Cobre-me um frio de janeiro
No junho do meu carinho.
(Fernando Pessoa)

terça-feira, 22 de março de 2011

COMO DIAGNOSTICAR UMA CRIANÇA DDA

De forma resumida, seguem algumas dicas ou itens que podem auxiliar, no
sentido de dar o primeiro passo rumo ao diagnóstico de DDA em uma criança (um
resumo mais específico das características já descritas para o DDA em geral):
1. Com freqüência mexe ou sacode pés e mãos, se remexe no assento, se
levanta da carteira. Não consegue manter-se quieta, mesmo em situações em
que se espera que o faça. É o tal ”bicho-carpinteiro”, o ”prego na carteira”, o
”motorzinho nas pernas” etc.
2. É facilmente distraída por estímulos externos. A criança DDA tem a atenção
tão dispersa que qualquer estímulo, um barulho, um movimento, a impede de
concentrar-se em alguma tarefa por muito tempo. Principalmente se a tarefa for
obrigatória e não despertar nenhum interesse especial. É muito difícil para ela fixar
a atenção no que o professor diz se pela janela vê pessoas passando ou mesmo
ouve sons produzidos por seus coleguinhas. Sua mente é um radar girando o
tempo todo em busca de novidades. Pode ser apelidada por seus coleguinhas de
”ouvido tuberculoso”.
3. Tem dificuldade de esperar sua vez em brincadeiras ou em situações de
grupo. Esperar em filas é um suplício para uma criança DDA, assim como esperar
sua vez em brincadeiras; freqüentemente interrompe os coleguinhas e fala
excessivamente. Por isso, é muito comum ser considerada uma criança
encrenqueira por supervisores do colégio (que não conheçam o DDA) e ter
dificuldades de relacionamento com os coleguinhas. Aqui, ela assume a figura do
”furão”, ”entrão”, ”abelhudo”, entre outras.
4. Com freqüência dispara respostas para perguntas que ainda não foram
completadas. Isso acontece porque, tão logo venha algo à mente de uma criança
DDA (e de grande parte dos adultos também!), ela coloca em palavras, muitas
vezes atropeladamente — afinal, a velocidade de sua língua não consegue se
equiparar à de seu cérebro. Isso é uma conseqüência da impulsividade. A criança
DDA não consegue parar ou filtrar o fluxo de idéias que eclodem em sua mente. E
lá vai ela ser apelidada de ”linguaruda” ou algo do gênero.
5. Tem dificuldade em seguir instruções e ordens. A criança DDA não quer se
insurgir contra a autoridade, ou seja, não é exatamente rebelde. Faz as coisas ao
seu jeitinho e insiste nisso. É quase sempre considerada muito teimosa. A ”mula
empacada” da família e da turma. É praticamente certo que ela irá levar essa
característica para a vida adulta.
6. Tem dificuldade em manter a atenção em tarefas ou mesmo atividades
lúdicas. A criança DDA se entedia rapidamente. Sua atenção é fluida e
escorregadia. Metaforicamente, muda de estado físico repentinamente. Lembra
das aulas no primário, das mudanças súbitas no estado físico das substâncias?
Sua atenção pode ser vaporosa durante atividades prolongadas e encadeadas de
caráter obrigatório ou mesmo em brincadeiras de grupo que envolvam regras. No
entanto, pode subitamente solidificar-se e tornar-se dura como gelo, se
determinada atividade a estimula ou encanta. Assim como pode sublimar-se
repentinamente, se algo mais interessante a distrair ou enfastiar-se simplesmente
da atividade atual. Um exemplo comum é o vídeo game. Tais jogos unem
estímulos de diversos tipos, de forma sincrônica e simultânea, comumente em
grande velocidade. São imagens vivas, coloridas e dinâmicas acompanhadas por
sons vibrantes que correspondem às ações empreendidas pela criança no jogo.
Muitos pais e/ ou cuidadores, ao observarem seus filhos entretidos profundamente
nesses jogos, sem se lembrar de comer ou de quaisquer outras atividades,
seguramente tenderão a concluir que seus filhos são preguiçosos e irresponsáveis.
Mas o fato é que as características desses jogos conseguem ativar o cérebro de
uma criança DDA de tal forma que atividades rotineiras e encadeadas não podem,
pois não possuem as características dinâmicas necessárias. O grande ”clique”
seria unir atividades educativas com meios multimídia, e já estão sendo feitos
vários desenvolvimentos nesse sentido.
7. Freqüentemente muda de uma atividade inacabada para outra. Esta
característica está intimamente encadeada com a anterior. Quando estão
entretidos em uma tarefa ou projeto, crianças DDA acabam pensando em ”n”
outras coisas diferentes para fazer. E fazem! Da mesma forma que uma idéia que
vem à mente dessa criança é imediatamente traduzida em palavras, muitas destas
idéias também são imediatamente postas em prática. Novamente a impulsividade
sobrepuja. Como acabam fazendo (e pensando) muitas coisas ao mesmo tempo,
deixam passar detalhes e cometem erros pela desatenção. E a ansiedade
acarretada pelo fato de ter muitas coisas a fazer contribui para diminuir mais ainda
sua capacidade de concentração. Precisam de muito incentivo e estruturação para
levar a cabo suas tarefas.
8. Tem dificuldade em brincar em silêncio ou tranqüilamente. Imagine uma
bola voando entre móveis e peças decorativas da sala. Objetos sendo derrubados
durante uma corrida. Gritos e imprecações. Imaginou? É isso mesmo. Esta
assertiva é auto-explicável.
9. Às vezes fala excessivamente. É bastante comum que uma criança DDA dê
voltas em torno de um assunto antes de conseguir chegar ao ponto. Ou pode ser
que no meio da fala esqueça o ponto e acabe falando de outras coisas. Pode ser
vista como ”enrolona” por pessoas menos compreensivas. Esta característica está
diretamente relacionada ao item 4. Como a criança DDA é assaltada por um fluxo
incessante de idéias e imagens, ela tem dificuldade de ser concisa e objetiva ao
falar. É comum que um assunto puxe outro, que puxa outro e no instante seguinte
já não sabe mais por que está falando aquilo ou mesmo o que estava falando
antes. É importante que pais e/ou cuidadores e professores tentem ser
compreensivos e mesmo aprendam a enxergar o lado divertido dessas
características e brincar com a criança sem fazê-la se sentir inadequada,
ajudando-a a se concentrar no assunto em questão.
10. Vive perdendo itens necessários para tarefas ou atividades escolares. Se
a criança é ”avoadinha” e freqüentemente esquece de fazer o trabalho de casa ou
de levar o lanche para a escola, fique atento. Podem ser sinais de desatenção e
lapsos de memória típicos do DDA, e não necessariamente irresponsabilidade ou
imaturidade.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Eu vivo sempre no mundo da lua.
Tenho alma de artista
sou um gênio sonhador
e romântico.
Pegar carona nessa cauda de cometa.
Ver a Via-láctea,
estrada tão bonita
Brincar de esconde-esconde
numa nebulosa.
Voltar pra casa
nesse lindo balão azul.
(Balão Mágico)

domingo, 20 de março de 2011

INFÂNCIA DE UMA GAROTA DDA

Durante a infância, a menina com DDA provavelmente será aquela sonhadora que
não chama muita atenção sobre si na sala de aula, já que em meninas é mais
freqüente o tipo predominantemente desatentivo. Sofrem com suas constantes
distrações e desorganização e tendem a apresentar depressão e ansiedade em
nível muito maior e recorrente que em meninas da mesma idade sem DDA, ou
mesmo em relação a seus pares masculinos com DDA. Quase sempre se sentem
atoladas e ansiosas com as demandas da vida escolar. Apresentam dificuldades
em completar suas tarefas e mesmo que estejam bravamente lutando para prestar
atenção ao que o professor diz, suas mentes escorregadias acabam por ficar
silenciosamente à deriva em terras distantes, paragens de sonho, recordações de
acontecimentos, antecipações do que está por vir; enfim, em múltiplos mundos
paralelos. A mocinha sonhadora, citada no início desta seção, pode ser facilmente
identificada nesse grupo. Sendo tão distraída e muitas vezes imperceptível
socialmente, pode ser erroneamente considerada menos inteligente do que é na
verdade. Afinal, a despeito dos prejuízos que possa trazer, sua mente flutuante é
freqüentemente muito criativa, já que produz imagens, sons e diálogos quase que
incessantemente.

[TEXTO RETIRADO DO LIVRO MENTES INQUIETAS]

terça-feira, 15 de março de 2011

O QUE É O DDA?
um trio de respeito: distração, impulsividade e hiperatividade...
Quando pensamos em DDA, não devemos raciocinar como se
estivéssemos diante de um cérebro ”defeituoso”. Devemos, sim, olhar sob um foco
diferenciado, pois, na verdade, o cérebro do DDA apresenta um funcionamento
bastante peculiar, que acaba por trazer-lhe um comportamento típico, que pode
ser responsável tanto por suas melhores características, como por suas maiores
angústias e desacertos vitais.
O comportamento DDA nasce do que se chama trio de base alterada. É a
partir desse trio de sintomas — formado por alterações da atenção, impulsividade
e da velocidade da atividade física e mental — que se irá desvendar todo o
universo DDA, que, muitas vezes, oscila entre o universo da plenitude criativa e o
da exaustão de um cérebro que não pára nunca.

(RETIRADO DO LIVRO "MENTES INQUIETAS")

domingo, 13 de março de 2011

Distúrbio de Déficit de Atenção (DDA) 12

LISTA DE CHECAGEM DO CÓRTEX PRÉ-FRONTAL

Aqui está uma lista de checagem do córtex pré-frontal. Por favor, leia essa lista de comportamentos e classifique-se (ou à pessoas que você estiver avaliando) em cada comportamento catalogado. Use a escala e coloque o número apropriado ao lado do item. Cinco ou mais sintomas com a nota 3 ou 4 indicam grande probabilidade de problemas no córtex pré-frontal.

0 = nunca

1 = raramente

2 = ocasionalmente

3 = freqüentemente

4 = muito freqüentemente

___1. Incapacidade de prestar atenção a detalhes ou evitar erros por falta de cuidado

___2. Problema em manter a atenção em situações de rotina (dever de casa, tarefas, papelada, etc.)

___3. Dificuldade em ouvir

___4. Incapacidade de terminar coisas, seguimento insuficiente

___5. Falha na organização de tempo e espaço

___6. Distração

___7. Pouca habilidade de planejamento

___8. Falta de objetivos definidos ou de pensar no futuro

___9. Dificuldade em expressar os sentimentos

___10. Dificuldade em expressar solidariedade pelos outros

___11. Excessivo sonhar acordado

___12. Tédio

___13. Apatia ou falta de motivação

___14. Letargia

___15. Sentimento de vazio de estar "em uma neblina"

___16. Desassossego ou dificuldade de ficar parado

___17. Dificuldade de permanecer sentado em situações em que se espera que a pessoa fique sentada

___18. Busca de conflito

___19. Falar demais ou de menos

___20. Dar rápido a resposta, antes de as perguntas terem sido completadas

___21. Dificuldade em esperar sua vez

___22. Interrupção dos outros ou intromissão (por exemplo: meter-se em conversas ou jogos)

___23. Impulsividade (dizer ou fazer coisas sem pensar antes)

___24. Dificuldade de aprender pela experiência, tendência para cometer erros repetitivos

sábado, 12 de março de 2011

Distúrbio de Déficit de Atenção (DDA) 11

Mau humor e pensamento negativo

Muitas pessoas com DDA tendem a ser mal-humoradas, irritadiças e negativas. Como o córtex pré-frontal está pouco ativo, ele não pode moderar totalmente o sistema límbico, que fica hiperativo, levando a problemas no controle do humor. De outro modo sutil, como já mencionado, muitas pessoas com DDA preocupam-se com ou ficam superconcentradas em pensamentos negativos, como uma forma de auto-estimulação. Se não conseguem arrumar confusão com os outros no meio ambiente, buscam isso dentro de si mesmas. Elas freqüentemente têm uma atitude do tipo "o mundo está acabando", o que as distancia dos outros.

Antes o DDA era considerado um distúrbio de garotos hiperativos que o superariam antes da puberdade. Sabemos agora que a maioria das pessoas que têm DDA não supera os sintomas do distúrbio e que este, freqüentemente, ocorre em meninas e mulheres. Calcula-se que o DDA afete 17 milhões de norte-americanos.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Distúrbio de Déficit de Atenção (DDA) 10

Começam muitos projetos, mas terminam poucos

A energia e o entusiasmo de pessoas com DDA muitas vezes as leva a começar muitos projetos. Infelizmente, pelo fato de serem distraídas e dado o seu pequeno âmbito de atenção, prejudicam sua capacidade de completá-los. Um gerente de uma estação de rádio me disse que ele começara cerca de 30 projetos especiais no ano anterior, mas havia completado uns poucos apenas. Ele me disse: "Estou sempre voltando para eles, mas tenho novas idéias que acabam atrapalhando". Também tratei de um professor que me disse que, no ano anterior ao que veio me consultar, ele começara 300 projetos diferentes. Sua esposa terminou seu pensamento dizendo que ele completara somente três.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Distúrbio de Déficit de Atenção (DDA) 9

Desorganização

Desorganização é outro marco importante do DDA. A desorganização inclui tanto o espaço físico, como salas, escrivaninhas, malas, gabinetes de arquivo e armários, quanto o tempo. Freqüentemente quando se olha para as áreas de trabalho de pessoas com DDA, é admirar que possam trabalhar ali. Elas tendem a Ter muitas pilhas de "coisas"; a papelada é algo que freqüentemente elas têm muita dificuldade de organizar; e parece que têm um sistema de arquivo que só elas podem entender (e mesmo assim só nos dias bons). Muitas pessoas com DDA têm atrasos crônicos ou adiam as coisas até o último momento. Eu tive vários pacientes que compraram sirenes de companhias de segurança para ajudá-los a acordar. Imagine o que deviam pensar os vizinhos! Essas pessoas também tendem a perder a noção do tempo, o que contribui para que se atrasem.

sábado, 5 de março de 2011

Distúrbio de Déficit de Atenção (DDA) 8

Um problema significativo do uso da raiva, tumulto emocional e emoção negativa para auto-estimulação é isso que é danoso ao sistema imunológico. Os altos níveis de adrenalina produzidos pelo comportamento direcionado ao conflito diminuem a eficácia do sistema imunológico e aumentam a vulnerabilidade à doença. Eu vi provas dessa deficiência muitas e muitas vezes, na conexão entre o DDA e infeções crônicas e na maior incidência de fibromialgia, dor muscular crônica que se considera associada à imunodeficiência.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Distúrbio de Déficit de Atenção (DDA) 7

Outra conduta de auto-estimulação comum em pessoas que têm DDA é se preocupar com ou se concentrar em problemas. O tumulto emocional gerado pela preocupação ou por estar aborrecido produz agentes químicos de estresse, que mantêm o cérebro ativo. Uma vez tratei de uma mulher que tinha depressão e DDA. Ela começava cada sessão me dizendo que iria se matar. Ela percebia que isso me deixava ansioso e parecia gostar de me dar os detalhes mórbidos de como o faria. Depois de conhecê-la bem, eu lhe disse: "Pare de falar em suicídio. Eu não acredito que você vá se matar. Você ama seus quatro filhos e não posso acreditar que os abandonaria. Acho que você usa essa conversa como uma maneira de criar agitação. Sem que você saiba, seu DDA faz com que você brinque de ‘Vamos criar um problema’. Isso estraga qualquer alegria que você possa Ter em sua vida". No começo, ela ficou muito zangada comigo (outra fonte de conflito, eu disse a ela), mas confiava em mim o suficiente para, no mínimo, observar seu próprio comportamento. Diminuir sua necessidade de criar caso tornou-se o foco maior da psicoterapia.

terça-feira, 1 de março de 2011

Distúrbio de Déficit de Atenção (DDA) 6

A busca do conflito

Muitas pessoas que sofrem de DDA inconscientemente buscam o conflito como uma maneira de estimular seu próprio córtex pré-frontal. Eles não sabem que fazem isso. Não planejaram fazer isso. Negam que fazem isso. E ainda assim o fazem. A relativa falta de atividade e estímulo do córtex pré-frontal anseia por mais atividade. Entrar em hiperatividade, desassossego, e ficar cantarolando são formas de auto-estimulação. Outro modo de as pessoas com DDA "tentarem ligar seus cérebros" é provocando confusão. Se elas conseguem que seus pais ou cônjuges tornem-se agitados ou gritem com elas, isso pode aumentar a atividade de seus lobos frontais e ajudá-las a sentirem-se mais sintonizadas. Novamente este não é um fenômeno consciente. Mas parece que muitas pessoas que têm DDA ficam viciadas em confusão.

Uma vez tratei de um homem que ficava quieto atrás de um canto de sua casa e pulava de repente para assustar sua esposa na hora em que ela fosse entrar. Ele gostava da mudança que obtinha com os gritos dela. Infelizmente para sua esposa, ela ficou com arritmia, devido aos sustos repetidos. Tratei de muitos adultos e crianças com DDA que pareciam sentir-se motivados fazendo seus animais de estimação ficar bravos, fazendo brincadeiras irritantes ou provocando-os.

Os pais de crianças com DDA comumente relatam que seus filhos são peritos em deixá-los bravos. Uma mãe me contou que, quando ela acorda de manhã, ela promete que não vai gritar nem ficar brava com seu filho de oito anos. Ainda assim, invariavelmente, na hora que ele vai para escola, já ouve pelo menos três brigas e os dois se sentem péssimos. Quando expliquei à mãe sobre a necessidade inconsciente que a criança tem de estimulação, ela parou de gritar com ele. Quando os pais param de oferecer estimulação negativa (gritos, surras, sermões, etc), diminui o comportamento negativo dessas crianças. Sempre que você se sentir como esses pais, pare e fale o mais suavemente que possa. Desse modo, você está ajudando seu filho a largar o vício de arranjar confusão e ao mesmo tempo colaborando para baixar sua própria pressão sangüínea.