quinta-feira, 18 de outubro de 2007

LEMBRAÇAS

Já faz tanto tempo
Que eu deixei
De ser importante
Pra você
Já faz tanto tempo
Que eu não sou
O que na verdade
Eu nem cheguei a ser
E quando parti Deixei ficar
Meus sonhos Jogados pelo chão
Palavras perdidas pelo ar
Lembranças curtidas Nesta solidão
Eu já nem me lembro
Quanto tempo faz
Mas eu não me esqueço
Que te amei demais
Pois nem mesmo o tempo
Conseguiu fazer esquecer
Você
Não fomos tudo aquilo
Que se pode ser
Meu amor foi mais
Do que se pode crer
E nem mesmo o tempo
Conseguiu fazer esquecer
VocêTentei ser feliz
Ao lado seu
Fiz tudo que pude
Mas não deu
E aqueles momentos
Que guardei
Me fazem lembrar
O muito que eu te amei
E hoje o silêncio
Que ficou
Eu sinto a tristeza
Que restou
Há sempre um vazio
Em minha vidaQuando relembro nossa
Despedida
Eu já nem me lembro
Quanto tempo faz Mas eu não me esqueço
Que te amei demais
Pois nem mesmo o tempo
Conseguiu fazer esquecer Você
Não fomos tudo aquilo
Que se pode serMeu amor foi mais
Do que se pode crer
E nem mesmo o tempo
Conseguiu fazer esquecer
Você...
composição de Roberto Carolos e Erasmo (musica cantada por Katia nos anos 80, cantora que inspirou minha mamae a por esse nome em mim :)

domingo, 14 de outubro de 2007

QUASE

Ainda pior que a convicção do não é a incerteza do talvez é a desilusão de um quase. ֹ o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi. Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou. Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono. Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cór, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz. A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai. Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza. O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si. Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência porém, preferir a derrota prévia a dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer. Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar. Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.


Quase - Sarah Westphal Batista da Silva (embora na net o texto circule como sendo do Verissimo)

AVISO IMPORTANTE

QUERIDOS AMIGOS...
ALGUNS TEXTOS NÃO SÃO DE MINHA AUTORIA, POR TANTO FORAM CUIDADOSAMENTE POSTOS OS SEUS AUTORES SEMPRE EM BAIXO DE CADA TEXTO COPIADO...
EXISTEM TEXTOS, ESCRITORES E POETAS QUE ME INSPIRARAM A ESCREVER... OUTROS SIMPLESMENTE MARCARAM ALGUMA ÉPOCA DA MINHA VIDA, NÃO SERIA JUSTO EU NÃO OS CITAR AQUI...
NÃO ASSINAVA OS MEUS TEXTOS, POREM A PARTIR DE AGORA O QUE FOR DE MINHA AUTORIA TERÁ MINHA ASSINATURA EM BAIXO, ASSIM COMO OS TEXTOS COPIADOS...
NÃO SOU A FAVOR DO PLAGIO!

sábado, 13 de outubro de 2007

Despedida


E no meio dessa confusão alguém partiu sem se despedir; foi triste. Se houvesse uma despedida talvez fosse mais triste, talvez tenha sido melhor assim, uma separação como às vezes acontece em um baile de carnaval — uma pessoa se perda da outra, procura-a por um instante e depois adere a qualquer cordão. É melhor para os amantes pensar que a última vez que se encontraram se amaram muito — depois apenas aconteceu que não se encontraram mais. Eles não se despediram, a vida é que os despediu, cada um para seu lado — sem glória nem humilhação.Creio que será permitido guardar uma leve tristeza, e também uma lembrança boa; que não será proibido confessar que às vezes se tem saudades; nem será odioso dizer que a separação ao mesmo tempo nos traz um inexplicável sentimento de alívio, e de sossego; e um indefinível remorso; e um recôndito despeito.E que houve momentos perfeitos que passaram, mas não se perderam, porque ficaram em nossa vida; que a lembrança deles nos faz sentir maior a nossa solidão; mas que essa solidão ficou menos infeliz: que importa que uma estrela já esteja morta se ela ainda brilha no fundo de nossa noite e de nosso confuso sonho?Talvez não mereçamos imaginar que haverá outros verões; se eles vierem, nós os receberemos obedientes como as cigarras e as paineiras — com flores e cantos. O inverno — te lembras — nos maltratou; não havia flores, não havia mar, e fomos sacudidos de um lado para outro como dois bonecos na mão de um titeriteiro inábil. Ah, talvez valesse a pena dizer que houve um telefonema que não pôde haver; entretanto, é possível que não adiantasse nada. Para que explicações? Esqueçamos as pequenas coisas mortificantes; o silêncio torna tudo menos penoso; lembremos apenas as coisas douradas e digamos apenas a pequena palavra: adeus. A pequena palavra que se alonga como um canto de cigarra perdido numa tarde de domingo.


Extraído do livro "A Traição das Elegantes", Editora Sabiá – Rio de Janeiro, 1967, pág. 83.

De repente


Assim, começou assim. Uma coisa sem graça, coisa boba que passa, e ninguém percebeu. Foi só olhar. Depois sorrir. Depois gostar. E assim se passaram 10 anos. Tiveram aquela fase de carinho apaixonado, de fazer versos, viver sempre abraçados. Naquela base do “só vou se você for”. Vendaval de paixões. Torrente de paixões. Abismos de paixão. Mas, de repente, foram ficando cada dia mais sozinhos. Embora juntos, cada qual em seu caminho. E não tinham mais nem vontade de brigar. De repente, não mais que de repente.